Transporte de cargas por via férrea sofreu redução de 50% em 18 anos no RS

Queda no Transporte de Cargas por Via Férrea no Rio Grande do Sul

O transporte ferroviário de cargas no Rio Grande do Sul (RS) registrou uma drástica redução de 50% ao longo de 18 anos, sendo que o volume transportado caiu de 4 milhões para apenas 2 milhões de toneladas anualmente. Essa diminuição acentuada, confirmada entre os anos de 2007 e 2025, está associada principalmente ao declínio da malha ferroviária local, que resultou na necessidade de empresas adotarem vias rodoviárias, acarretando aumento de custos e impacto ambiental.

Causas da Redução no Transporte Ferroviário

A desvalorização do transporte ferroviário no estado é reflexo da falta de infraestrutura adequada acrescida de problemas históricos. A concessionária Rumo Logística não implementou melhorias nos ramais, resultando em trilhos envelhecidos e a manutenção inadequada das locomotivas, que se tornaram obsoletas ao longo dos anos. Os dados apontam que a lentidão do sistema ferroviário, com locomotivas operando a apenas 12 km/h, contrasta com a agilidade dos caminhões, que podem atingir velocidades de até 80 km/h, dificultando a concorrência do modal ferroviário.

Impacto Econômico para Empresas Gaúchas

Essa situação trouxe graves consequências econômicas para várias empresas. Um exemplo é a Be8, gigante do setor de biodiesel, que enfrentou um custo adicional de R$ 8 milhões em 2025 devido à ausência da ferrovia, necessário para a distribuição de seus produtos. Esse valor corresponde aos gastos de transporte por caminhão, que se tornaram inevitáveis após a destruição das vias férreas em decorrência das enchentes de 2024. O CEO da Be8, Erasmo Battistella, destaca que a operação rodoviária implica em um aumento significativo na frota de caminhões e nos custos logísticos em geral.

Aumento nos Custos de Transporte Rodoviário

Ao se verem obrigadas a utilizar rodovias, as empresas não apenas enfrentam custos maiores, mas também contribuem para uma maior emissão de poluentes. O uso exclusivo de caminhões gera um impacto ambiental negativo ao aumentar a pegada de carbono associada ao transporte de mercadorias. O volume adicional de caminhões nas estradas, estimado em 3,5 mil, representa um aumento significativo na frota da Be8, além de resultar em custos operacionais mais altos.

Consequências Ambientais do Uso de Rodovias

Além dos custos financeiros, a transição para o transporte rodoviário também acarreta consequências ambientais severas. O aumento da quantidade de caminhões nas estradas resulta em maior emissão de gases poluentes, colaborando para a degradação da qualidade do ar. O transporte ferroviário, historicamente considerado mais sustentável, passou a ser visto como uma alternativa vantajosa em termos de emissão de poluentes, segurança nas rotas e eficiência no transporte.



Deterioração da Malha Ferroviária no Estado

O histórico abandono de projetos de modernização da malha ferroviária no RS remonta a várias décadas. A falta de investimento por parte da Rumo Logística gerou consequências desastrosas, como a redução drástica no volume de fertilizantes transportados por trem, que caiu de 23% para apenas 2% ao longo de vinte anos. O estudo encomendado pelo governo do estado confirma a negligência da concessionária em manter e modernizar não apenas os trilhos, mas também os equipamentos e locomotivas.

Alternativas para Recuperação do Transporte Ferroviário

Para mitigar os impactos negativos enfrentados pelas empresas e o meio ambiente, é imprescindível buscar alternativas para revitalizar a malha ferroviária. A recuperação de trechos importantes, como a chamada “Ferrovia do Trigo”, que liga Roca Sales a Passo Fundo, se torna uma prioridade. A restauração não só beneficiaria a logística regional, mas também permitiria o melhor aproveitamento das propriedades de transporte ferroviário. O governo federal estima que cerca de R$ 300 milhões podem ser necessários apenas para restaurar a parte turística dessa ferrovia.

Desafios Enfrentados pelas Empresas de Logística

As empresas de logística no RS enfrentam um cenário complicado com a escassez de infraestrutura ferroviária. Além dos custos elevados do transporte rodoviário, as empresas têm que lidar com problemas de segurança nas estradas, como o aumento de roubos de cargas e acidentes. A longevidade do sistema ferroviário é um quesito de preocupação constante, ressaltando a urgência em recuperar as capacidades logísticas sustentável que a ferrovia oferece.

A Importância do Transporte Ferroviário para a Sustentabilidade

O ressurgimento do transporte ferroviário no RS se mostra não apenas uma necessidade econômica, mas também uma solução sustentável. A ferrovia é considerada um meio de transporte mais eficiente e hostil ao meio ambiente. Comparativamente, a quantidade de poluentes emitidos por um trem é consideravelmente menor quando comparado ao transporte rodoviário. Investir na recuperação ferroviária não apenas aliviaria a pressão sobre as estradas, mas também contribuiriam para a redução das emissões de carbono, além de promover uma economia mais verde.

O Futuro do Transporte de Cargas no RS

O futuro do transporte de cargas no Rio Grande do Sul está interligado à revitalização da malha ferroviária. As diálogos entre a Rumo Logística e o governo federal sobre possíveis melhorias oferecem uma esperança de retorno ao transporte ferroviário eficaz. Para que isso se torne realidade, será necessário um conjunto de investimentos estratégicos que visem modernizar trilhos, locomotivas e infraestrutura relacionada.

Análises e Propostas para Melhorar a Malha Ferroviária

A necessidade de um planejamento robusto e conjunto entre o governo e as empresas de logística é premente. As propostas devem incluir não apenas a recuperação do que foi perdido, mas também um olhar voltado para inovações no setor ferroviário, como novas tecnologias e iniciativas de transporte multimodal. Só assim será possível resgatar a ferrovia como uma opção viável e sustentável para o transporte de cargas, garantindo o desenvolvimento econômico do estado.



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